Planos, sonhos e tudo o mais…

•08/11/2009 • 2 Comentários

Cara, ou melhor, caras… é realmente estranho quando você se dá conta do quão a sua existência é insignificante perto do que é o Universo. Digo Universo, porque a maioria das pessoas se dá conta dessa insignificância ao olhar para o céu estrelado, e ao fechar os olhos, continuar a ver os milhões de estrelas, astros e planestas que existe além daquele no qual habitamos. Mas comigo foi diferente!

Me dei conta do qual pequenino e frágil somos, ou melhor, eu sou, perto de um nascimento. A vida é realmente uma coisa engraçada. Há milhares de cientistas por aí que tentam entender a origem da vida, outros tentando entender o que há além dela, mas eu me contentaria em entender ela. Um dia eu li um artigo que dizia que o processo de aprendizagem de uma língua estrangeira é um sistema complexo regido pela Teoria do Caos. Essa teoria, academicamente falando, é exatamente como nós a conhecemos: o que torna o sistema complexo é a inexistência de um padrão, a incapacidade de se medir as consequências de interferências externas, que por menores que sejam, podem refletir de forma profunda e inalterável no processo.

Isso é a vida, eu acho… Mas, afinal de contas, porque eu estou pensando nisso agora? Porque eu sei que um dia, por um acaso, seja ele infeliz ou não, minha vida pode mudar completamente! Eu posso sofrer um acidente, posso ficar gravemente doente, enfim, são inúmeras possibilidades, mas nesse momento eu penso no que aconteceria com a minha vida se Ela ficasse grávida. E vocês querem saber realmente o que eu acho? Cada dia que passa eu penso mais que serial genial!

Eu passei minha vida inteira pensando mal da gravidez, dizendo que era estupidez trazer mais uma pessoa ao mundo se esse processo acabaria por arruinar 3 vidas no total, que já existem pessoas o suficiente precisando da nossa ajuda para sermos egoístas o suficiente em ignorá-las e trazer outra só porque ela vai ser mais parecidinha conosco. Hoje, hoje eu digo que penso diferente. Penso de uma maneira, talvez menos racional, talvez menos justa, mas é isso que a vida é. Nesse momento, eu só quero pensar nas coisas boas em ser pai.

baby

Eu teria mais um motivo para amar Ela. (E eu digo Ela, com o “e” maiúsculo, porque Ela é para mim o que Deus é para os cristãos.) E não seria apenas mais um motivo, seria O motivo. É triste assumir, mas eu acho que ser pai me daria uma injeção de responsabilidade que eu não me vejo tendo de qualquer outra maneira. Hoje para mim é impossível arranjar um emprego e me sustentar e começar a formar uma vida e ter bens duráveis e estar pronto para a Vida. Caso eu estivesse prestes a me tornar pai, creio que isso passaria a ser ao menos difícil.

Não é a primeira vez que eu imagino minha vida como pai, e eu realmente consigo me ver trabalhando por algo que não seja uma televisão grande, ou um videogame ou um computador. Eu me vejo trabalhando como se minha vida, e algumas outras, dependessem disso. Eu me vejo dando duro para pagar contas e garantir saúde e boa alimentação e educação. Eu vejo essas coisas valerem meu suor por anos e anos a fio. A unica coisa que eu quero ter certeza é que, quando chegar a hora, eu vou ser capaz de oferecer mais do que o necessário, o aceitável.

Bebê, quando chegar nossa vez, pode contar comigo! Eu sei que estamos passando por tempos difíceis, que as coisas não têm sido muito fáceis, e que se já não bastasse nós termos que estar tomando decisões realmente difíceis que vão influenciar o resto das nossas vidas, eu tenho sido insuportavelmente infantil e tornado as coisas mais simples e deliciosas do mundo como estar contigo, um pesadelo. Escrevo para te provar que ainda existe uma gota de sanidade em mim, e que essa gota te ama mais profundamente do que qualquer pessoa pode te amar, e essa gota vai aflorar, pode confiar!

Planos, sonhos e tudo o mais… That´s what we call life!

Stand by me

•15/10/2009 • 1 Comentário

É o que diz o vídeo no post anterior, que parece nem ter tido muita importância. Mas a verdade é que eu sinto sua falta, sinto mesmo.

Faz tanto tempo que eu não escrevo nada. Quando me perguntam do blog, eu digo que deixei morrer, mas cá estou eu aqui de novo botando pra fora algo que não aguenta mais ficar guardado. Algo que desperta em mim toda vez que eu assisto um filme que gosto, que me toca. Toda vez que eu me sinto bem de uma maneira mais intensa do que na maioria das vezes que eu me sinto bem. Toda vez que eu estou sozinho. Toda vez que eu deito na minha cama. Toda vez que eu sinto uma necessidade imensa de sorrir, mas não vejo motivos para fazê-lo. E você sabe o porquê disso tudo? Porque você não está do meu lado!

Eu realmente me sinto incompleto sem a minha aliança, não consigo ficar tranquilo, a falta dela me incomoda, não me deixa relaxar. E toda vez que eu não consigo senti-la no meu dedo, seja porque eu me acostumei seja porque ela ficou em uma posição imperceptível, durante aquele milésimo de segundo que meu cérebro leva para mandar meu dedão procurar ela, meu dedão ir até lá e mandar uma mensagem para meu cérebro dizendo que ela ainda está lá, meu coração dispara loucamente.

Eu realmente quero me casar contigo em uma castelo no País de Gales, com você em um vestido branco rodado com centenas de diamantes incrustrados no busto do vestido. Quero que você chegue de limousine e eu a cavalo, e quero te levar embora cavalgando depois da cerimônia. Porque quando você me perguntou como seria o casamento perfeito, ouviu tudo isso e disse “amor, você é bom”, você entendeu que não foi a primeira vez que isso passou pela minha cabeça. Mas sabe, é tudo tão caro e não é o dinheiro que importa. Sei que teremos um casamento extraordinariamente mais simples que esse, pelo qual eu vou me orgulhar durante o resto da minha vida.

O que eu mais quero é ter a certeza de que eu não vou mais me sentir como me sinto agora. Que toda vez que eu me sentir solitário, desanimado ou com vontade de sorrir, eu vou poder dar apenas alguns passos, te abraçar e resolver todos os meus problemas (ou pelo menos afastá-los da minha mente por mais uma noite).

So my darling, stand by me.

PS: uma coisa que eu também quero é que as pessoas comecem a copiar meus textos e darem os créditos a escritores renomados. estou me sentindo menosprezado.

PS2: se alguém menos desprovido de recursos ler isso e quiser ajudar com que esse apaixonado seja feliz com seu amor, estamos aceitando doações. :)

Playing For Change

•24/09/2009 • Deixe um comentário

Quem me mostrou esse vídeo disse que se ele não me arrancasse pelo menos 1 lágrima e que não me fizesse sorrir pelo resto do dia, eu era um desgraçado sem coração.

“E pensar que se eu passar um dia inteiro na internet eu sou capaz de encontrar 1000 coisas interessantes, 100 informações úteis, 10 que façam de mim e de minha vida algo melhor e pelo menos 1 coisa que me faça lembrar de cada pessoa importante para mim. Essa é pra você amor. :’)”

Stand By Me | Playing For Change | Song Around The World from Concord Music Group on Vimeo.

From the award-winning documentary, “Playing For Change: Peace Through Music”, comes the first of many “songs around the world” being released independently. Featured is a cover of the Ben E. King classic by musicians around the world adding their part to the song as it travelled the globe.

PS: Eu não sou um desgraçado em coração!

Desconexo e Integrado

•01/09/2009 • 2 Comentários

Sério, deu vontade de escrever. Mas deu vontade de escrever sobre algo que não é costume escrever nesse blog.

Eu, desde que me entendo por gente, sempre me interessei por tecnologia. Sabe, por novidades, coisas legais e caras. Hoje em dia me interesso cada dia mais, posso garantir que é uma das, senão minha maior paixão. Mas hoje eu digo pra vocês que tenho me tornado mais crítico.

Quando eu digo crítico, eu não quero dizer crica ou então mais seleto, mas eu paro para pensar sobre a nova tecnologia ou o novo produto que me está sendo apresentado ao invés de começar a babar logo de cara porque é algo novo que ninguém tem. E é a partir dessas minhas reflexões que eu tenho tirado conclusões que têm me tirado o sono, mas de uma maneira positiva. Alguns exemplos ilustrarão melhor o que eu quero dizer:

O mundo está indo para o caminho certo

Pois é! Cada dia que passa temos mais e mais consciência no que diz respeito ao que realmente importa. De uns tempos pra cá eu tenho notado que as Hypes (assuntos do momento) têm sido mais inteligentes e relevantes. Confesso que ainda vejo por exemplo “Dado Dolabella é vencedor de “A Fazenda” e esse tipo de coisa, mas garanto pra vocês que há 10 anos atrás, SÓ SE FALAVA de BBB e afins. Hoje vejo muito mais sobre política, meio ambiente, segurança e qualquer tema que possa ser de utilidade pública.

Sabe, eu realmente detesto propaganda paranaense, mas se tem uma que eu nunca vou esquecer, é uma da Gazeta do Povo que dizia assim: “Você acha que o mundo  piorou? Foi a cobertura da imprensa que melhorou.” ou algo do gênero, e é genial porque é exatamente isso.

Não existe mais fronteira do impossível

Não existe! Todos já devem ter ouvido os avós dizendo algo do tipo: “Na minha época a gente nunca imaginava que um dia veria uma coisa dessas.” E quanto tempo se passou? 50, 60 anos?! É um tempo considerável, mas isso também já mudou. Hoje vemos pessoas que trabalham com tecnologia de ponta dizendo: “Há 10 anos atrás, eu nunca imaginaria que isso seria possível.” E é essa uma outra verdade. A velocidade e a quantidade de conhecimento produzido e difundido no mundo têm progredido exponencialmente. Há estimativas (não sei se me lembro dos números certos) de que em 50 anos, o conhecimento vai começar a dobrar a cada 2 anos, e eu ponho a minha mão no fogo que isso não se tornará um problema. Não vai haver excesso de informação nem sobrecarga, por exemplo, na carga horária escolar. Esses são problemas que também serão solucionados.

Sabe, hoje eu vejo conceitos em que foram baseados filmes de ficção científica se tornando protótipos, e tudo cada dia mais perto do ser humano comum, do consumidor. Vejo cada dia mais um mundo verde,  ações gigantescas de multinacionais e governos, medidas simples tomadas pela população, a partir do bom senso.

E onde está a tecnologia nisso? Em tudo!

Aquela idéia de tudo integrado, de uma casa automatizada, comandos a distância, praticidade e conforto, estão cada vez mais próximas do nosso cotidiano. Não existe limites para a capacidade humana, nem para o que ela cria. Agora você deve estar se pensando, “Da onde ele tira isso?” Das coisas mais simples possíveis: veja só o que eu encontrei no Orkut:

“Luh e daniel adicionaram esse vídeo. Tem que ser bom!”

Uma simples frase, que nos diz que 2 amigos que eu tenho no Orkut, que provavelmente sejam amigos entre si, adicionaram esse vídeos aos seus respectivos favoritos, certo? Errado não está, mas acompanhe comigo. Ele (o Orkut ou seu mecanismo de “raciocínio”) pegou duas informações distintas, porém com um grau de relevância entre si, relacionou-as e emitiu um parecer com opinião! Não sei pra vocês, mas eu consigo PLENAMENTE encarar isso como uma forma de raciocínio. Agora vamos ponderar: Eu sei que esse “raciocínio” na verdade é uma resposta imediata a uma série de comandos simples que foram estipulados para que Ele se comportasse dessa maneira, nada demais.

A lendária partida e a polêmica vitória da máquina. Verdade ou Mito?

A lendária partida e a polêmica vitória da máquina. Verdade ou Mito?

Agora, o que é o nosso raciocínio? Podemos dizer com a mais absoluta certeza que não é um conjunto de respostas imediatas a uma série de comandos simples que nos foram estipulados, com a diferença que nós temos uma liberdade de comportamento maior? Podemos realmente nos julgar tão melhores e superiores, sendo que ao que me parece, a única diferença é que a gama de comandos que nos são estipuladas e consequentemente a gama de respostas é infinitamente maior? E se for possível oferecer todas essas experiências a Ele (aqui trato ele como uma unidade de processamento lógico artificial), o que aconteceria? Será que seria produzida uma capacidade de raciocínio e uma definição de opinião e de personalidade baseada na escolha de protocolos que pareçam mais adequados àquela situação? Não é exatamente isso o que nós fazemos?

Deixo aqui alguns links de posts relacionados escritos também por mim.

http://stuffintoo.posterous.com/web-20-152

http://stuffintoo.posterous.com/alpha-project

Cansei de escrever. Querem ler coisas realmente interessantes? http://diego.soylocoporti.org.br Pena estar fora do ar, mas se Deus quiser ainda vai voltar.

Atualização: http://pt.wikipedia.org/wiki/Singularidade_tecnol%C3%B3gica Tava dando uma lida no GizmodoBr como sempre quando encontrei o termo “Singularidade” destacado, cliquei e caí nessa página da Wiki. É EXTRAORDINÁRIO!

IMPORTANTE

•30/07/2009 • Deixe um comentário

ESSE POST É UMA REPRODUÇÃO DE UM POST ENCONTRADO NO CARTAS&CAFÉS, BLOG QUE JÁ FOI MENCIONADO E RECOMENDADO AQUI.

Por favor, aos que acompanham o meu blog, leiam com atenção esse post:

O WordPress, serviço que hospeda este blog, possui uma ferramenta que possibilita saber de onde os visitantes do meu blog vieram. Por exemplo, se você, visitando outro site que tem o Cartas & Cafés linkado, clicou neste link e veio parar aqui, o WordPress automaticamente me avisa que site foi esse.

Acontece que eu sempre checo esse tipo de coisa, para saber como meus visitantes acabam chegando por aqui. Numa dessas, de clicar no site que me linkou, descobri que um texto meu vem sendo publicado por aí. O problema não é nem a falta da minha autorização para isso. O  problema real é que meu texto está sendo publicado como sendo de autoria de Caio Fernando Abreu.

Não sei se isso é bom ou ruim. Mas posso garantir que meu objetivo não foi e nunca será ser comparado com este grande escritor. Nunca quis que meus textos fossem divulgados, nunca quis chegar perto de ficar famosa com eles. Com certeza deve ter sido um equívoco de uma pessoa, que o publicou em outro lugar, colocando o nome do Caio F. Abreu (mesmo não entendendo como essa confusão possa ter acontecido na cabeça de alguém!) e daí em diante isso foi se propagando.

Só gostaria que todos soubessem que EU escrevi aquele texto. Me chateia ver ele espalhado por aí com o nome de outra pessoa embaixo, porque tudo que está escrito ali veio de mim. Tudo aquilo ali são os meus sentimentos. Eu escrevi para o homem que hoje é meu namorado e me faz feliz, escrevi porque queria que ele soubesse o que eu sentia.

Peço por favor, para os blogs e tumblrs e outros sites que o estejam divulgando, corrijam o erro. É possível checar as datas e ver que, de longe, o meu post aqui é mais antigo que qualquer outro que tenham feito em qualquer outro blog com ele. E aos que acreditam em mim, acompanham meu blog e reconhecem o meu tipo de escrita, peço que me ajudem a divulgar este post, se possível.

O texto é o #27.

E os encontrei com a autoria modificada nos seguintes endereços:
lisbela.wordpress.com
imbecilidadealeatoria.tumblr.com
psychodelic.tumblr.com
smncrstn.tumblr.com
lastdaysofromance.tumblr.com
sheslostcontroll.tumblr.com


Obrigada,
Andressa Rodrigues

O Vocativo Amor

•20/07/2009 • 4 Comentários

Um dia, numa aula de linguística, meu professor preferido da faculdade disse que as palavras tem poder. Ele disse que muitas pessoas só se sentem casadas caso a autoridade de sua religião diga “vos declaro marido e mulher”.Eu não conseguia imaginar a magnitude do poder das palavras, até que aconteceu comigo.

Nos namoros, principalmente no começo, sempre tem aquela história: “ah, mas será que eu falo que amo ela? e se ela se assustar e quiser terminar e blablabla” (isso ocorre tanto com eles quanto com elas) e por aí vai, mas o que realmente importa não é o que está sendo dito, e sim quem diz, e para quem é dito. Mas voltemos à minha história: eu tenho uma espertíssima, lindíssima, inteligentíssima, maravilhosíssima namorada, e ela é bem tímida. Venhamos e convenhamos que isso entra em contraste direto com a minha personalidade, um cara extrovertido, espontâneo e que acima de tudo isso, tem um péssimo costume de falar as coisas sem pensar. Pois então, estava eu lá quando derrepende chamei-a de amor. Tempos mais tarde ela chegou a me perguntar se tinha sido consciente ou se eu havia deixado escapar, eu, é claro, disse que foi proposital, que não tinha como eu não ter percebido que estava dizendo aquilo, mas confesso que não tenho certeza de nada.

Sei que a idéia de falar isso espontaneamente é bonita, mas mais bonita que isso é a idéia de uma pessoa que morre de vontade de falar que ama seu parceiro(a), que ele(a) é seu amor e tudo isso que todo namorado(a) gosta de ouvir, mas não consegue. Hoje em dia eu realmente acredito que existem pessoas que travam, simplesmente não conseguem falar o que devem ou o que querem quando se sentem pressionadas. E o que tem de bonito nisso tudo? Tem que você consegue ver, sentir o sacrifício que aquela pessoa está fazendo para falar aquilo, para que você saiba, para que você sinta pelo menos uma fração do que ela sente por você.

Eu tenho uma espertíssima, lindíssima, inteligentíssima, maravilhosíssima namorada, e ela é bem tímida. Desde o dia em que eu soube o quão importante foi pra ela que eu chamasse-a de amor, eu esperei ansioso o dia em que ela me chamaria. Cheguei a pressioná-la algumas vezes, sem sucesso, mas agradeço por não ter conseguido. Um dia, deitados juntos, falando de outro assunto qualquer, ela me chama de amor. Eu paro, hesito, pergunto o que ela disse (eu tenho um sério problema de audição E de memória) e ela repete a frase. Não sei que expressão eu fiz, e vocês não conseguem imaginar o quanto isso é raro. Meu rosto tomou uma expressão desconhecida pra mim, meus músculos foram injetados por uma substância que deu-lhes vida própria. Eles se movimentavam independente das minhas ordens, e eu só ali, um mero fantoche dos meus sentimentos, completamente anestesiado pelo  efeito que aquela simples palavra causou em mim.

mi_amor_by_sundropstonight

Definitivamente não sou o melhor dos namorados. Eu sou chato, ranzinza, reclamão, egoísta, grosso e por aí vai, mas se ela sente nesses momentos o mesmo que eu sinto, eu sei que esse namoro está valendo a pena. Às vezes estamos carentes, longes um do outro, conversando por MSN ou telefone, e eu acabo agindo de forma errada, sendo grosso ou descontando a raiva que eu sinto, muitas vezes por motivos imbecis como jogos de PC, (sim, podem ter certeza que 90% das vezes sou eu que estrago tudo) e ela demonstra naquele exato momento que precisa mais de mim e do meu carinho do que de qualquer outra coisa, e eu acabo decepcionando. Sabe, eu hesito, fico com medo, e imadiatamente me vem um peso na consciência por não responder prontamente que eu a amo, que ela é tudo pra mim e que se eu pudesse eu faria qualquer coisa pra estar do seu lado naquele momento. E isso começa a me afetar como um círculo vicioso, e eu acabo ficando cada vez pior e agindo cada vez pior, ela sabe disso, e tenta sair do MSN, desligar o telefone, pra gente não brigar mais, mas eu sempre, SEMPRE faço ela ficar e as coisas ficam cada vez piores.

Mas querendo ou não, eu sei que fui eu que chamei ela de amor primeiro, mas eu também sei que o momento em que ela me chamou de amor, foi muito, extremamente mais valioso. Enquanto ela guarda um depoimento no Orkut para lembrar-se da primeira vez que chamei-a, eu guardo uma doce lembrança, que inunda minha mente, trazendo atrás de si mais dezenas de lembranças felizes com ela, que no futuro serão centenas, milhares, milhões.

Eu tenho uma espertíssima, lindíssima, inteligentíssima, maravilhosíssima namorada, e ela é bem tímida. E eu só queria que você soubesse que se eu pudesse nunca esquecer do quanto as minhas palavras são importantes pra você, se eu conseguisse sempre lembrar que o que eu te digo pode valer mais que o que qualquer outra pessoa diga, eu ia sempre, SEMPRE pensar muito mais antes de falar. Eu te amo e toda vez que eu te machuco, que eu te faço chorar, um pedaço de mim morre, um pedaço que eu sei que só você pode fazer nascer denovo.

Não sei se eu preciso que alguém me considere casado para que eu me sinta casado, mas sei que não abro mão de ter centenas de testemunhas dos mais variados graus de intimidade para que eu possa dizer, que por mais que desde o primeiro segundo eu sentisse que ia passar por mais coisas com você do que muito provavelmente eu passaria com qualquer outra pessoa em minha vida,  não há melhor pessoa para passar por aquele momento do que com você, meu amor.

Sem começo e nem fim

•05/07/2009 • 2 Comentários

Você chegou assim do nada, sem avisar, sem pedir licença. Chegou sorrindo e cortando,  agindo como se não quisesse nada, me tratando mal como se não se importasse… Sempre me interessei por garotas assim, que pareciam me odiar sem motivo algum. Hoje eu entendo o porquê: era o único jeito de ter a certeza que eu não ia te deixar passar, que eu ia insistir e ia correr atrás do jeitinho que eu deveria ter feito, e fiz.

Você é uma bobona, sabia?!

É tão facinho, e tão gostosinho te agradar. Às vezes eu sinto que não preciso fazer mais do que ser eu mesmo apra você me amar. Porque eu sei que você me provoca e brinca comigo, pra ver eu fazer as caras que eu faço. E faço com tanto prazer, vendo seu rosto se abrir em uma risada e se iluminar no instante em que você olha pra mim. Esquentar um leite com chocolate pra você, cortar um pedaço de bolo e te levar na cama, sem dar o braço a torcer, mas você sabe que é a única que pode comer no meu quarto, na minha cama. Você é a única em tanta, tanta coisa.

Mas sabe o que me faz melhor, mais feliz? É acordar durante a noite e ver seu cabelo, sentir você sobre meu braço, seu coração batendo pertinho do meu. É sentir você invadindo cada cantinho que eu guardava para aquela pessoa, sabe? É não ter vergonha de fazer todas as caras e bocas, vestir ou não qualquer roupa, é poder ser espontâneo sem medo.

Eu ainda estrago muita coisa. Ainda penso demais com a cabeça e pouco com o coração. Às vezes eu sinto tanta vontade de te mandar uma música, mesmo vendo que a letra dela não fala nada de bonito ou que se encaixe, porque quando eu ouvi, eu me senti bem, e provavelmente lembrei de você. Já te disse uma vez e repito, desde que eu te conheço, o próprio sentimento de felicidade remete à sua lembrança. Mas eu persisto no erro, e me foco nas coisas que me fazem mal, mesmo sabendo que você está ali, na minha frente, na verdade se declarando, dizendo que me entregou o próprio coração, de bom grado, que confia a mim a sua maior preciosidade.

Você arrebatou minha vida, minha alma, meu coração. Acho que o que eu mais gosto de pensar e de lembrar quando penso em nós e em como tudo “começou”, é de como estando com você há apenas duas semanas, já se pareciam dois anos, duas décadas, duas vidas. Mesmo sabendo que eu não devia estar ali, que você não devia estar ali, eu não trocava aqueles momentos por nada, eram e ainda são minha maior preciosidade.

Do mesmo jeito que no começo já parecia que faziam décadas, eu espero que depois de décadas ainda pareça que é o começo. Não consigo mais ver uma vida sem você, e espero não ter nenhuma. Te prometo meu melhor, mesmo sabendo que você merece mais.

—————-
Now playing: The Chemical Brothers – Close Your Eyes
via FoxyTunes

o cara certo

•08/06/2009 • 1 Comentário
eu ainda lembro de como eu gostei dessa imagem, de como eu senti que éramos eu e você.

eu ainda lembro de como eu gostei dessa imagem, de como eu senti que éramos eu e você.

eu ainda lembro de tudo o que eu senti quando li o #27 do seu blog pela primeira vez. eu me assustei tanto. a verdade é que aquilo me pegou de surpresa como pouquíssimas coisas pegam. que eu tava me controlando para não me entregar, pensando que eu era só mais um carinha pra você, e quando eu li aquilo, minha vontade foi de correr, te abraçar, e dizer que tudo o que eu mais queria era ouvir aquilo. eu ainda lembro de tudo o que eu senti quando eu li o #30. de como meus olhos se encheram de lágrimas, e eu me senti tão bem, mas tão bem, que eu tinha certeza que tudo aquilo ainda ia acontecer, era como uma promessa que eu fazia a mim mesmo. eu ainda lembro do dia que você escreveu no twitter que era muito legal ver as pessoas à sua volta começando a ficar que nem você. eu ainda lembro de todas as vezes que você fez de tudo para me agradar, como quando você mostrava conversas suas com seus amigos dizendo que achava que eu era o cara certo, que dessa vez você tinha acertado, e eu burro não entendia, ficava lá com meus ciúmes idiota e não dava o devido valor. eu ainda me lembro de todas as músicas que você me mandou, todas as frases, todas as vezes que você fez de tudo para me fazer bem, para me fazer sorrir, para me fazer mais feliz ao seu lado.

eu tenho tanto medo. medo de tudo. medo de não fazer jus às suas palavras, de te decepcionar. medo de não ser o que você esperava, mesmo sabendo que era eu que você esperava. medo de você se cansar de mim. medo de meu medo me afastar de você. medo de te perder. medo de cara dia que passa, toda aquela intensidade e profundidade que a gente tinha, fique cada dia mais frouxa e rasa. hoje você disse uma coisa que eu pretendo nunca esquecer “o dia que você parar de pensar nessas coisas, você vai parar de FAZER essas coisas.” você ta certa como sempre, a diferença é que você pensa e eu não. tenho tanto medo de meu medo me cegar mais e mais. tenho tando medo de parar de ver as coisas boas e só começar a ver as ruins. de realmente começar a passar a ver problema em tudo, de começar a discutir sobre tudo, fazer a gente brigar mais e mais. tenho tanto medo de não conseguir melhorar, de não conseguir me tornar uma pessoa melhor. tenho MUITO medo de deixar de ser o cara certo, pelo menos pra você.

queria que você soubesse, que tem muita coisa, mas MUITA coisa que eu realmente gosto em você. que eu procuro, às vezes, ser mais parecido contigo, e não é pro acaso. que eu escrevo sem letras maiúsculas porque você escreve assim, e porque Bukowski escrevia assim. queria que você soubesse, que a maioria das vezes que eu te cutuco, ou te incomodo, é meu jeito idiota e imbecil de mostrar que eu gosto de você. que quando eu discuto com você, e muitas vezes eu quero ganhar ou me achar melhor, eu realmente quero, mas não simplesmente pra ganhar ou me achar melhor, mas para que você me admire. queria que você soubesse que eu sei que é uma maneira extremamente babaca, mas que é a única que eu conheço. queria que você soubesse que toda vez que eu te elogio, é do fundo do meu coração, que eu não consigo lembrar de uma vez que eu tinha dito algo da boca pra fora, pra te agradar. queria que você soubesse, que cada dia da minha vida, eu levo como um dia a mais pra te fazer sorrir, pra te fazer feliz. que um dia sem teu sorriso é um dia perdido. queria que você soubesse que eu tenho tantos planos, e desde que eu te conheci, eles deixaram de ser planos pra mim e passaram a ser planos pra nós. queria que você soubesse que eu sou um hipócrita, um insensível, um burro cínico, que eu sou um ridículo, um medroso inseguro ciumento babaca, que eu sou infantil, chato, implicante, perfecionista, e acima de tudo, um metido. mas eu também queria que você soubesse que eu te amo. que eu realmente vejo você ao meu lado, pra sempre, pelo menos quando eu não to dando meus chiliques ou tendo meus acessos.  queria que você soubesse que cada dia que passa eu tento fazer mais e mais jus às suas palavras, e mais, que eu ainda seja o motivo de muitas e muitas palavras a serem escritas, mas só palavras de felicidades.

o que eu to te pedindo é injusto, é ridículo, é infantil, mas é sincero. eu te peço uma coisa, que você já faz, te peço para ser uma coisa que você já é. te peço para ser uma pessoa melhor que eu.

mas, tenho certeza que você já sabia de tudo isso, não é?! ♥

Kant. Fundamentação da metafísica dos costumes.

•04/06/2009 • Deixe um comentário

PREFÁCIO

“A Física terá portanto a sua parte empírica, mas também uma parte racional; igualmente a Ética, se bem que nesta a parte empírica se poderia chamar especialmente Antropologia prática, enquanto a racional seria a Moral propriamente dita.”

“Mas aqui limito-me a perguntar se a natureza da ciência não exige que se distinga sempre cuidadosamente a parte empírica da parte racional e que se anteponha à Física propriamente dita (empírica) uma Metafísica da Natureza, e à Antropologia prática uma Metafísica dos Costumes, que deveria ser cuidadosamente depurada de todos os elementos empíricos, para se chegar a saber de quanto é capaz em ambos os casos a razão pura e de que fontes ela própria tira o seu ensino a priori.”

“Toda a gente tem de confessar que uma lei que tenha de valer moralmente, isto é como fundamento duma obrigação, tem de ter em si uma necessidade absoluta; que o mandamento: “não deves mentir”, não é válido somente para os homens e que outros seres racionais se não teriam que importar com ele, e assim todas as restantes leis propriamente morais; que, por conseguinte, o princípio da obrigação não se há-de buscar aqui na natureza do homem ou nas circunstâncias do mundo em que o homem está posto, mas sim a priori exclusivamente nos conceitos da razão pura, e que qualquer outro preceito baseado em princípios da simples experiência, e mesmo um preceito em certa medida universal, se ele se apoiar em princípios empíricos, num mínimo que seja, talvez apenas por um só móbil, poderá chamar-se na verdade uma regra prática, mas nunca uma lei moral.”

“É verdade que estas exigem ainda uma faculdade de julgar apurada pela experiência, para, por um lado, distinguir em que caso elas têm aplicação, e, por outro, assegurar-lhes entrada na vontade do homem e eficácia em sua prática. O homem, com efeito, afectado por tantas inclinações, é na verdade capaz de conceber a idéia de uma razão pura prática, mas não é tão facilmente dotado da força necessária para a tornar eficaz in concreto no seu comportamento.”

“Uma Metafísica dos Costumes, é, pois, indispensavelmente necessária, (…) porque os próprios costumes ficam sujeitos a toda a sorte de perversão enquanto lhes falta aquele fio condutor e norma suprema do seu exacto julgamento. Pois que aquilo que deve ser moralmente bom não basta que seja conforme à lei moral, mas tem também que cumprir-se por amor dessa mesma lei; caso contrário, aquela conformidade será apenas muito contingente e incerta, porque o princípio imoral produzirá na verdade de vez em quanto acções conformes à lei moral, mas mais vezes ainda acções contrárias a essa lei.”

“Com efeito, a Metafísica dos Costumes deve investigar a idéia e os princípios de uma possível vontade pura, e não as acções e condições do querer humano em geral, as quais são tiradas na maior parte da Psicologia.”

“A presente Fundamentação nada mais é, porém, do que a busca e fixação do princípio supremo da moralidade, o que constitui só por si no seu propósito uma tarefa completa e bem distinta de qualquer outra investigação moral.”

“(…) porque a facilidade de aplicação e a aparente suficiência dum princípio não dão nenhuma prova segura de sua exatidão, pelo contrário, despertam em nós uma certa parcialidade para o não examinarmos e ponderarmos em toda a severidade por si mesmo, sem qualquer consideração pelas consequências.”

PRIMEIRA SECÇÃO

“Neste mundo, e até também fora dele, nada é possível pensar que possa ser considerado como bem sem limitação a não ser uma só coisa: uma BOA VONTADE. Discernimento, argúcia de espírito, capacidade de julgar e como quer que possam chamar-se os demais talentos do espírito, ou ainda coragem, decisão, constância de propósito, como qualidades de temperamento, são seu dúvida a muitos respeitos coisas boas e desejáveis; mas também podem tornar-se extremamente más e prejudiciais se a vontade, que haja de fazer uso destes dons naturais e cuja constituição particular por isso se chama carácter, não for boa. O mesmo acontece com os dons da fortuna. Poder, riqueza, honra, mesmo a saúde e todo o bem-estar e contentamento com a sua sorte, sob o nome de felicidade, dão ânimo que muitas vezes por isso mesmo desanda em soberba, se não existir também a boa vontade que corrija a sua influência sobre a alma e juntamente todo o princípio de agir e lhe dê utilidade geral (…), e assim a boa vontade parece constituir a condição indispensável do próprio facto de sermos dignos de felicidade.”

“Moderação nas emoções e paixões, autodomínio e calma reflexão são não somente boas a muitos respeitos, mas parecem constituir até parte do valor íntimo da pessoa; mas falta ainda muito para as podermos declarar boas sem reserva (ainda que os antigos as louvassem incondicionalmente), Com efeito, sem os princípios duma boa vontade, podem elas tornar-se muitíssimo más, e o sangue-frio dum facínora não só o torna muito mais perigoso como o faz também imediatamente mais abominável ainda a nossos olhos do que o julgaríamos sem isso.”

“Ainda mesmo que por um desfavor especial do destino, ou pelo apetrechamente avaro de uma natureza madrasta, faltasse totalmente a esta boa vontade o poder de fazer vencer as suas intenções, mesmo que nada pudesse alcançar a despeito dos seus maiores esforços, e só afinal restasse a boa vontade (é claro que não se trata aqui de um simples desejo, mas sim do emprego de todos os meios de que as nossas forças disponham), ela ficaria brilhando por si mesma como uma jóia, como alguma coisa que em si mesma tem o seu pleno valor. A utilidade ou a inutilidade nada podem acrescentar ou tirar a este valor. A utilidade seria apenas como que o engaste para essa jóia poder ser manejada mais facilmente na circulação corrente ou para atrair sobre ela a atenção daqueles que não são  ainda bastante conhecedores, mas não para a recomendar aos conhecedores e determinar seu valor.”

“(…) numa palavra, a natureza teria evitado que a razão caísse no uso prático e se atrevesse a engedrar com as suas fracas luzes o plano da felicidade e dos meios de a alcançar; a natureza teria não-somente chamado a si a escolha dos fins, mas também a dos meios, e teria com sábia prudência confiado ambas as coisas simplesmente ao instinto.”

“Observamos de facto que, quanto mais uma razão cultivada se consagra ao gozo da vida e da felicidade, tanto mais o homem se afasta do verdadeiro contentamento; e daí provém que em muitas pessoas, e nomeadamente nas mais experimentadas no uso da razão, se elas quiserem ter a sinceridade de o confessar, surja um certo grau de misologia, quer dizer ódio à razão. E isto porque, uma vez feito o balanço de todas as vantagens que elas tiram, não digo já da invenção de todas as artes do luxo vulgar, mas ainda das ciências (que a elas lhes parecem no fim e ao cabo serem também um luxo do entendimento), descobrem contudo que mais se sobrecarregaram de fadigas do que ganharam em felicidade, e que por isso finalmente invejam mais do que desprezam os homens de condição inferior que estão mais próximos do puro instinto natural e não permitem à razão grande influência sobre o que se fazem ou deixam de fazer.”

“(…) mas que na base de juízos desta ordem está oculta a idéia de uma outra e mais digna intenção da existência, à qual, e não à felicidade, a razão muito especialmente se destina, e à qual por isso, como condição suprema, se deve subordinar em grandíssima parte a intenção privada do homem.”

“(…) a razão nos foi dada como faculdade prática, isto é, como faculdade que deve exercer influência sobre a vontade, então o seu verdadeiro destino deverá ser produzir uma vontade, não só boa quiçá como meio para outra intenção, mas uma vontade boa em si mesma, (…) Esta vontade não será na verdade o único bem nem o bem total, mas terá de ser contudo o bem supremo e a condição de tudo o mais, mesmo de toda a aspiração de felicidade.”

“(…) vamos encarar o conceito do DEVER que contém em si o de boa vontade, posto que sob certas limitações e obstáculos subjectivos, limitações e obstáculos esses que, muito longe de ocultarem e tornarem irreconhecível a boa vontade, a fazem antes ressaltar por contraste e brilhar com luz mais clara.”

“Muito mais difícil é esta distinção quando a acção conforme ao dever e o sujeito é além disso levado a ela por uma inclinação imediata. Por exemplo: – É na verdade conforme ao dever que o merceeiro não suba os preços ao comprador inexperiente, e, quando o movimento do negócio é grande, o comerciante esperto também não faz semelhante coisa, mas mantém um preço fixo geral para toda sua gente, de forma que uma criança pode comprar em sua casa tão bem quanto qualquer outra pessoa. É-se, pois, servido honradamente; mas isso ainda não é bastante para acreditar que o comerciante tenha assim procedido por dever e princípios de honradez; o seu interesse assim o exigia; mas não é de aceitar que ele além disso tenha tido uma inclinação imediata para os seus fregueses, de maneira a não fazer, por amor deles, preço mais vantajoso a um do que a outro. A acção não foi, portanto, praticada nem pro dever nem por inclinação imediata, mas somente com intenção egoísta.”

“Os homens conservam a sua vida conforme ao dever, sem dúvida, mas não por dever. Em contraposição, quando as contrariedades e o desgosto sem esperança roubaram totalmente o gosto de viver; quando o infeliz, com fortaleza da alma, mais enfadado do que o desalentado ou abatido, deseja a morte, e conserva contudo a vida sem a amar, não por inclinação ou medo, mas por dever, então a sua máxima tem um conteúdo moral.”

“A segunda proposição é. – Uma acção praticada por dever tem o seu valor moral, não no propósito que com ela se quer atingir, mas na máxima que a determina; não depende portanto da realidade do objecto da ação, mas somente do princípio do querer segundo o qual a acção, abstraindo de todos os objectos da faculdade de desejar, foi praticada.”

“Não pode residir em mais parte alguma senão no princípio da vontade, abstraindo dos fins que possam ser realizados por uma ta acção; pois que a vontade está colocada entre o seu princípio a priori, que é formal, e o seu móbil a posteriori, que é material , por assim dizer numa encruzilhada; e, uma vez que ela tem de ser determinada por qualquer coisa, terá de ser determinada pelo princípio formal do querer em geral quando a acção seja praticada por dever, pois lhe foi tirado todo o princípio material.”

“Só pode ser o objecto de respeito e portanto mandamento aquilo que está ligado à minha vontade somente como princípio e nunca como efeito, não aquilo que serve à minha inclinação mas o que a domina ou que, pelo menos, a exclui do cálculo na escolha, que dizer a simples lei por si mesma.”

“Por conseguinte, nada senão a representação da lei em si mesma, que em verdade só no ser racional se realiza, enquanto é ela, e não o esperado efeito, que determina a vontade, pode constituir o bem excelente a qual chamamos moral, o qual se encontra já presente na própria pessoa que age segundo essa lei, mas se não deve esperar somente do efeito da acção. (A determinação imediata da vontade pela lei e a consciência desta determinação é que se chama respeito, de modo que se deve ver o efeito da lei sobre o sujeito e não a sua causa. (…) Todo o respeito por uma pessoa é propriamente só respeito pela lei, da qual essa pessoa nos dá o exemplo.”

“(…) nada mais resta do que a conformidade a uma lei universal das acções em geral que possa servir de único princípio à vontade, isto é: devo proceder sempre de maneira que eu possa querer também que a minha máxima se torne uma lei universal.”

“Entretanto, para resolver da maneira mais curta e mais segura o problema de saber se uma promessa mentirosa é conforme ao dever, preciso só de perguntar a mim mesmo: – Ficaria eu satisfeito de ver a minha máxima (de me tirar de apuros por meio de uma promessa não verdadeira) tomar o valor de lei universal (tanto para mim como para os outros)? E poderia eu dizer a mim mesmo: – Toda a gente pode fazer uma promessa mentirosa quando se acha numa dificuldade de que não pode sair de outra maneira?”

“Não preciso pois de perspicácia de muito largo alcance para saber o que hei-de fazer para que o meu querer seja moralmente bom. (…) Ora, a razão exige-me respeito por uma tal legislação, da qual em verdade presentemente não vejo em que se funde (problema que o filósofo pode investigar), mas de que pelo menos compreendo que é uma apreciação do valor que de longe ultrapassa tudo aquilo que a inclinação louva, e que a necessidade das minha acções por puro respeito à lei prática é o que constitui o dever, perante o qual tem de ceder qualquer outro motivo, porque ele é a condição de uma vontade boa em si, cujo valor é superior a tudo.”

Montaigne. Ensaios: livro III, Ensaio II: Do arrependimento

•03/06/2009 • Deixe um comentário

“Todo homem, diz ele, porta em si a forma integral da condição humana; isso significa que a natureza sobre a qual constrói sua filosofia tem ramificações originais em cada indivíduo; que existe assim em nós alguma coisa particular que fundamenta nossa individualidade; e também alguma coisa universal pela qual cada um de nós pode transmitir aos outros o fruto de sua experiência.”

“O vício deixa como uma ulceração na carne, um arrependimento na alma, que continua a unhar-se e a ensanguentar a si mesma. Pois a razão apaga as outras tristezas e dores; porém chega a do arrependimento, que é a mais penosa, pois nasce no íntimo, assim como o calor e o frio das febres é mais lancinante do que o que vem de fora. Considero vícios (mas cada um segundo a sua medida) não apenas os que a razão e a natureza condenam mas também os que o parecer dos homens inventou, ainda que falso e errôneo, se as leis e o uso validarem-no.”

“Igualmente, não há bondade(conduta louvável) que não alegre uma índole bem nascida. Realmente há em agir bem não sei que satisfação que nos alegra em nós mesmos, e uma nobre altivez que acompanha a consciência tranquila. Uma alma corajosamente viciosa talvez possa, guarnecer-se de segurança, mas não pode prover-se dessa complacência(ação de comprazer-se a si mesmo, mesmo sentido de satisfação) e satisfação. Não é um pequeno prazer sentir-se preservado do contágio de um século tão corrompido, e dizer consigo: “Se alguém me visse até dentro da alma, ainda assim não me acharia culpado nem da aflição e ruina de ninguém, nem de vingança ou ódio, nem de ofensa pública às leis, nem de insurreição e desordem, nem de descumprimento da minha palavra; e ainda que a licensa da época o permita e ensine a todos, mesmo assim não deitei a mãe nem aos bens nem à bolsa do homem francês, e vivi apenas da minha, não mais na guerra do que na paz; nem me servi do trabalho de alguém sem pagar.” Esses testemunhos da consciência agradam; e esse júbilo natural nos é um grande benefício e o único pagamento que jamais nos falha.”

“Até restrinjo minhas ações de acordo com outrem, mas só as estendo de acordo comigo. Apenas vós sabeis se sois covarde e cruel ou leal e devotado; os outros não vos veem – adivinham-vos por meio de conjecturas incertas; veem não tanto vossa natureza quanto vossa arte. Por isso não vos atenhais ao veredicto deles; atende-vos ao vosso. “É a vosso próprio julgamento que deveis recorrer.” “A consciência da virtude e dos vícios tem por si mesma grande peso; suprimi-a e todo o restante cai por terra.”

“Mas isso é o que dizem – que o arrependimento segue de perto o pecado – não parece referir-se ao pecado em todo o seu aparato, que habita em nós como em seu domicílio próprio. Podemos renegar os desmentir os vícios que nos tomam de surpresa e para os quais as paixões nos arrebatam; mas os que por longo hábito estão enraizados e ancorados numa vontade forte e vigorosa não estão sujeitos a contradição. O arrependimento não é mais que um desmentido de nossa vontade e uma contradição de nossas fantasias, que nos arrasta em todos os sentidos. Faz aquele renegar sua virtude passada e sua continência: “Por que meus sentimentos de hoje não foram os de minha juventude? Ou por que, agora que tenho a sabedoria, minhas faces não recuperam a beleza de outrora?”

“É uma vida rara a que se mantém em ordem até mesmo privadamente. Cada qual pode tomar parte na comédia e representar no palco um personagem honesto; mas ser regrado interiormente e no peito, onde tudo nos é lícito, onde tudo é secreto, esse é o ponto.”

“Caso existisse ali regramento, é preciso um discernimento vivo e raro para percebê-lo em suas ações banais e privadas. Acresce que a ordem é uma virtude apagada e obscura. Conquistar uma trincheira, conduzir uma intermediação, governar um povo são ações brilhantes. Repreender, rir, vender, pagar, amar, odiar e conviver com os seus e consigo mesmo de mesma forma amena e justa, não relaxar, não se contradizer é a coisa mais rara, mais difícil e menos notável.”

“A maneira mais curta de alcançar a glória seria fazer por consciência o que fazemos pela glória.”

“O mérito da alma não consiste em ir alto, e sim ordenadamente. Sua grandeza não se exerce na grandeza e sim na mediania. Assim como os que nos julgam e tocam interiormente não levam em grande conta o brilho de nossas ações públicas, e veem que são apenas filetes e respingos de água límpida brotando  de um fundo lodoso e pesado em todo o resto, da mesma forma os que nos julgam por essa bela aparência (o brilho das ações públicas) concluem o mesmo de nossa constituição interna e não conseguem ligar faculdades banais e semelhantes às deles e essas outras faculdades que os espantam, tão distantes de sua mira.”

“Assim como as almas viciosas amiúde são incitadas a agir bem por algum impulso externo, assim o são as virtuosas a agir mal. Portanto é preciso julga-las pelo seu estado assentado, quando estão em si, se às vezes o estão; ou pelo menos quando estão mais próximas da calma e de sua postura normal.”

“Assim quando, desabituadas de suas florestas, as feras amansaram no cativeiro, abandonaram o ar ameaçador e aprenderam a sujeitar-se o domínio do homem, se uma gota de sangue vier a tocar-lhes a boca ardente sua raiva e ferocidade retornam, suas faces dilatam-se e se inflamam com o gosto do sangue; em sua fúria, mal se contêm para não estraçalhar o domador apavorado.” Não extirpamos essas características originais; encobrimo-las, ocultamo-las. A língua latina me é como nativa, entendo-a melhor do que ao francês, mas há quarenta anos não a uso para falar nem para escrever; entretando, nas emoções extremas e súbitas em que caí duas ou três vezes em minha vida – e uma delas ao ver meu pai saudável tombar sobre mim, desfalecido -, sempre lancei do fundo das entranhas as primeiras palavras latinas; a natureza irrompendo e exprimindo-se à força, contrariando um longo hábito. E esse exemplo vale para muitos outros.”

“Alguns, ou por estarem colados ao vício com uma cola natural, ou por longa convivência, não lhe percebem mais a feiúra. Para outros (de cuja categoria faço parte) o vício pesa, mas contrabalançam-no com o prazer ou outro circunstância, e suportam-no e prestam-se a ele por um certo preço – viciosamente porém, e covardemente.”

“Por tal descrição, seja ela verdadeira ou falsa, este aqui encara o furto como ação muito desonesta e abomina-o, porém menos que à indigência. Arrepende-se dele, pura e simplesmente; mas, na medida em que era assim contrabalançado e compensando, não se arrepende. Nesse caso, não se trata daquele hábito que nos incorpora ao vício e a ele amolda até mesmo nosso entedimento, nem se trata daquele vento impetuoso que vai perturbando e cegando repetidamente nossa alma e nesse momento lança-nos, com julgamento e tudo, em poder do vício.”

“Mas nesses outros pecados tantas vezes repetidos, deliberados e meditados, ou pecado de compleição (que têm a ver com o nosso temperamento), e mesmo pecados de profissão e de ocupação, não posso conceber que fiquem plantados tão longo tempo em um mesmo coração sem que a razão e a consciência de quem os possui deseje isso firmemente e pretenda assim; e o arrependimento que ele se gaba de vir-lhe num determinado instante prescrito me é um pouco difícil de imaginar e conceber.”

“Entretanto não há cura se não nos livramos do mal. Se o arrependimento pesasse no prato na balança,  suprimiria o pecado.”

“E o arrependimento não abrange propriamente as coisas que não estão em nossas forças, mas a tristeza sim. Imagino inúmeras índoles mais nobres e mais regradas que a minha; entretando nem por isso melhoro minhas faculdades, assim como nem meu braço nem meu espírito se tornam mais vigorosos por eu pensar em um outro que o seja. Se imaginar e desejar um modo de agir mais nobre do que o nosso produzisse o arrependimento pelo nosso, teríamos que arrepender-nos de nossas mais inocentes ações, porquanto consideramos que na índole mais excelente elas teriam sido conduzidas com maior perfeição e dignidade; e desejaríamos fazer o mesmo. Quando examino com minha velhice as atitudes de minha juventude, acho que normalmente as conduzi com ordem, de acordo comigo; é tudo o que consegue minha resistência. Não me estou vangloriando: em circunstâncias iguais continuaria a ser assim. Não é mácula; é antes uma tinta geral que me marca. Não reconheço arrependimento superficial, mediano e formal. É preciso que ele me toque em todas as partes antes que o chame assim, e que atenaze minhas entranhas e aflija-as tão profundamente quanto Deus me vê, e tão globalmente.”

“A força de toda decisão reside no tempo; as situações e as matérias rolam e mudam sem cessar. Em minha vida incorri de alguns erros graves e importantes, não por falta de tino mais por falta de sorte. Há nos objetos que manejamos partes secretas e imprevisíveis, principalmente na natureza dos homens; características mudas (silenciosas, e portanto ignoradas), não aparentes, às vezes desconhecidas do próprio possuidor, que se manifestam e despertam em circunstâncias imprevistas. Se minha prudência não as pôde penetrar e profetizar, não a recrimino por isso; sua tarefa atém-se a seus limites; o desfecho derrota-me; e se ele favorecer o partido que rejeitei, não há remédio; não culpo a mim. Acuso minha fortuna, não minha obra; isso não se chama arrependimento.”

“Em todos os assuntos depois que se encerraram da maneira que for, pouco tenho a lamentar. Pois elimina meu penar a idéia de que eles tinham de acontecer assim: ei-los no grando curso do universo e no encadeamento das causas estóicas; vossa imaginação não pode, por desejo e pensamento, mover-lhes um só ponto sem que toda a ordem das coisas se subverta, e o passado, e o futuro.”

“”Em minha opinião, é o viver venturosamente – e não, como dizia Antístenes, o morrer venturosamente  - que faz a bem-venturança humana.”

“É preciso que Deus toque nosso coração. É preciso que nossa consciência se corrija por si mesma pelo fotalecimento de nossa razão, não pelo enfraquecimento de nosso spetites. A volúpia não é em si nem pálida nem descolorida só porque é encarada por olhos remelosos e turvos. Devemos amar a temperança por ela mesma e por respeito a Deus, que no-la ordenou, e a castidade; a que os catarros nos emprestam e que devo ao benefício de minha cólica (cálculo renal) não é nem castidade nem temperança.”

“Chamamos de sabedoria a dificuldade de nosso humores, a falta de gosto pelas coisas presentes. Mas, na verdade, não tanto abandonamos os vícios como os mudamos – e, em minha opinião, para pior. Além de um orgulho tolo e caduco, de uma tagarelice tediosa, desses humores espinhoso e insociáveis, e da superstição, e de um ridículo anseio por riquezas quando seu uso está perdido, vejo nela mais inveja, injustiça e malignidade. Coloca-nos mais rugas no espírito do que no rosto; e não se veem, ou são muito raras, almas que ao envelhecer não cheirem a azedo e a mofo. O homem caminha inteiro para ser crescimento e descrescimento (todas as faculdades desenvolvem-se e declinam ao mesmo tempo).”

“Quantas metamorfoses vejo-a causar todos os dias em muitos de meus conhecidos! É uma doença poderosa e que se insinua de modo natural e imperceptível. É preciso grande provisão de diligência e grande precaução para evitar as imperfeições com que nos sobrecarrega, ou pelo menos para atenuar-lhes o avanço. Sinto que, não obstante todas as minhas barreiras, ela vem avançando passo a passo sobre mim. Resisto tanto quanto posso. Mas não sei por fim aonda ela me levará. Em todo caso, fico contente que saibam de onde terei caído.”