Um dia, numa aula de linguística, meu professor preferido da faculdade disse que as palavras tem poder. Ele disse que muitas pessoas só se sentem casadas caso a autoridade de sua religião diga “vos declaro marido e mulher”.Eu não conseguia imaginar a magnitude do poder das palavras, até que aconteceu comigo.
Nos namoros, principalmente no começo, sempre tem aquela história: “ah, mas será que eu falo que amo ela? e se ela se assustar e quiser terminar e blablabla” (isso ocorre tanto com eles quanto com elas) e por aí vai, mas o que realmente importa não é o que está sendo dito, e sim quem diz, e para quem é dito. Mas voltemos à minha história: eu tenho uma espertíssima, lindíssima, inteligentíssima, maravilhosíssima namorada, e ela é bem tímida. Venhamos e convenhamos que isso entra em contraste direto com a minha personalidade, um cara extrovertido, espontâneo e que acima de tudo isso, tem um péssimo costume de falar as coisas sem pensar. Pois então, estava eu lá quando derrepende chamei-a de amor. Tempos mais tarde ela chegou a me perguntar se tinha sido consciente ou se eu havia deixado escapar, eu, é claro, disse que foi proposital, que não tinha como eu não ter percebido que estava dizendo aquilo, mas confesso que não tenho certeza de nada.
Sei que a idéia de falar isso espontaneamente é bonita, mas mais bonita que isso é a idéia de uma pessoa que morre de vontade de falar que ama seu parceiro(a), que ele(a) é seu amor e tudo isso que todo namorado(a) gosta de ouvir, mas não consegue. Hoje em dia eu realmente acredito que existem pessoas que travam, simplesmente não conseguem falar o que devem ou o que querem quando se sentem pressionadas. E o que tem de bonito nisso tudo? Tem que você consegue ver, sentir o sacrifício que aquela pessoa está fazendo para falar aquilo, para que você saiba, para que você sinta pelo menos uma fração do que ela sente por você.
Eu tenho uma espertíssima, lindíssima, inteligentíssima, maravilhosíssima namorada, e ela é bem tímida. Desde o dia em que eu soube o quão importante foi pra ela que eu chamasse-a de amor, eu esperei ansioso o dia em que ela me chamaria. Cheguei a pressioná-la algumas vezes, sem sucesso, mas agradeço por não ter conseguido. Um dia, deitados juntos, falando de outro assunto qualquer, ela me chama de amor. Eu paro, hesito, pergunto o que ela disse (eu tenho um sério problema de audição E de memória) e ela repete a frase. Não sei que expressão eu fiz, e vocês não conseguem imaginar o quanto isso é raro. Meu rosto tomou uma expressão desconhecida pra mim, meus músculos foram injetados por uma substância que deu-lhes vida própria. Eles se movimentavam independente das minhas ordens, e eu só ali, um mero fantoche dos meus sentimentos, completamente anestesiado pelo efeito que aquela simples palavra causou em mim.

Definitivamente não sou o melhor dos namorados. Eu sou chato, ranzinza, reclamão, egoísta, grosso e por aí vai, mas se ela sente nesses momentos o mesmo que eu sinto, eu sei que esse namoro está valendo a pena. Às vezes estamos carentes, longes um do outro, conversando por MSN ou telefone, e eu acabo agindo de forma errada, sendo grosso ou descontando a raiva que eu sinto, muitas vezes por motivos imbecis como jogos de PC, (sim, podem ter certeza que 90% das vezes sou eu que estrago tudo) e ela demonstra naquele exato momento que precisa mais de mim e do meu carinho do que de qualquer outra coisa, e eu acabo decepcionando. Sabe, eu hesito, fico com medo, e imadiatamente me vem um peso na consciência por não responder prontamente que eu a amo, que ela é tudo pra mim e que se eu pudesse eu faria qualquer coisa pra estar do seu lado naquele momento. E isso começa a me afetar como um círculo vicioso, e eu acabo ficando cada vez pior e agindo cada vez pior, ela sabe disso, e tenta sair do MSN, desligar o telefone, pra gente não brigar mais, mas eu sempre, SEMPRE faço ela ficar e as coisas ficam cada vez piores.
Mas querendo ou não, eu sei que fui eu que chamei ela de amor primeiro, mas eu também sei que o momento em que ela me chamou de amor, foi muito, extremamente mais valioso. Enquanto ela guarda um depoimento no Orkut para lembrar-se da primeira vez que chamei-a, eu guardo uma doce lembrança, que inunda minha mente, trazendo atrás de si mais dezenas de lembranças felizes com ela, que no futuro serão centenas, milhares, milhões.
Eu tenho uma espertíssima, lindíssima, inteligentíssima, maravilhosíssima namorada, e ela é bem tímida. E eu só queria que você soubesse que se eu pudesse nunca esquecer do quanto as minhas palavras são importantes pra você, se eu conseguisse sempre lembrar que o que eu te digo pode valer mais que o que qualquer outra pessoa diga, eu ia sempre, SEMPRE pensar muito mais antes de falar. Eu te amo e toda vez que eu te machuco, que eu te faço chorar, um pedaço de mim morre, um pedaço que eu sei que só você pode fazer nascer denovo.
Não sei se eu preciso que alguém me considere casado para que eu me sinta casado, mas sei que não abro mão de ter centenas de testemunhas dos mais variados graus de intimidade para que eu possa dizer, que por mais que desde o primeiro segundo eu sentisse que ia passar por mais coisas com você do que muito provavelmente eu passaria com qualquer outra pessoa em minha vida, não há melhor pessoa para passar por aquele momento do que com você, meu amor.
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